A esfinge de Clarice
Clarice Lispector, a escritora mais importante do século 20 no Brasil, segue nos interrogando com o enigma da sua literatura
Clarice tem qualquer coisa de violenta, de intimidadora,
e, ao mesmo tempo, maternal e assustada.
Eu a descobri na época da faculdade, já meio “tarde”, depois que meu próprio estilo literário já estava bem caracterizado, para mim.
Não lembro de ter lido Clarice antes, na escola, na adolescência. Entendo. Talvez ela fosse enigmática e ameaçadora demais para pobres alunos perdidos, como nós.
Nosso primeiro encontro foi totalmente casual; simplesmente trombei com um livro dela em algum canto, não lembro onde. Lembro do quê, lembro do é: parei logo na primeira frase, absorto. De um modo confuso e inexplicável pra mim, eu me reconheci ali. Percebi que eu escrevia de forma semelhante a ela. Fiquei muito intrigado.
Havia um eco de Clarice, em mim, que antecedia aquela descoberta. É como ela diz em alguma de suas obras (perdão por citar de memória): o que acontece agora já estava acontecendo antes de nós.
O livro era “A Hora da Estrela”, um de seus últimos romances.
Ele começa assim:
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
Foi um momento de beleza livre, como diria o velho Kant. De contemplação desinteressada e anterior ao trabalho da razão.
Eu disse sim. Entendi imediatamente que Clarice e eu estávamos ligados pelo olhar.
Por um certo olhar contemplativo.
*Este artigo é parte de uma série em que revisito autores brasileiros que, na minha formação pessoal, considero fundamentais. São as minhas Páginas Tropicais.
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Clarice Lispector (1920-1977) nasceu na Ucrânia e chegou ao Brasil ainda bebê, vinda com os pais e duas irmãs. Fugiam das perseguições contra os judeus russos, em um contexto de violento antissemitismo, fome e medo. A mãe sofrera agressões bárbaras durante os pogroms, perdera o movimento das pernas e passaria seus últimos anos de vida com a saúde muito debilitada.
Desembarcaram em Maceió em 1922 e pouco tempo depois mudaram-se para o Recife, onde, ainda muito menina, Clarice começou a se encantar com a língua portuguesa. Amava sobretudo os livros. Em uma (rara) entrevista concedida a amigos, a escritora conta que quando era criança achava que “livro era como árvore, como bicho”: ou seja, simplesmente nascia, irrompia como força viva na natureza.
Quando descobriu que eles eram escritos, quis ser escritora também.
Quis colocar livros no mundo.
Aos 8, ela perdeu a mãe, e talvez tenha sido esse o primeiro abalo sísmico que abriria fendas até o seu coração selvagem. Isso porque, de modo geral, Clarice diz que foi uma garota feliz, sem muita consciência das dificuldades pelas quais a família passava. Só adolescente perceberia que a sua família era muito, muito pobre.
Um dia, perguntou à irmã mais velha se eles haviam passado fome, na infância.
A irmã Tania disse que não, “mas quase”. Passaram perto disso.
Lia com voracidade e sem nenhum critério. Escolhia os livros pelo título. Em um dia mergulhava em Dostoiévski e no outro na mais preguiçosa literatura comercial, feita para excitar mocinhas ingênuas. Na sua biblioteca, mesmo após adulta, Machado de Assis, Kafka e Shakespeare dividiam espaço com romances de espionagem e a Enciclopédia da Mulher e da Família.
— Eu lia como uma doida. Me sentia tão livre. Mas também era excessivamente sensível: qualquer coisa me fazia chorar.
Clarice se definia como “tímida-arrojada”. Por um lado, fechava-se nas suas leituras. Por outro, não tinha vergonha de enviar, ainda criança, seus contos para revistas e jornais, na esperança de ser publicada.
Não era. As revistas a recusavam porque as historinhas infantis dela não começavam com “Era uma vez…”, como as outras. Ela escrevia sensações. E o mundo não sabe muito bem o que fazer com sensações, especialmente com aquelas que provocam inquietação e dúvida.
A família se mudou do Recife para o Rio de Janeiro quando Clarice tinha 14 anos. Pouco depois, ela conseguiu emplacar seu primeiro conto. O editor de uma revista leu em silêncio o original e perguntou:
— Você copiou de onde? Traduziu de outra língua? Quem é que escreveu isso?
Clarice, com sua firmeza característica, respondeu apenas “é meu”. A reação foi a melhor possível. Acharam a escrita linda, Clarice, linda, aquela voz feminina e misteriosa, linda também.
Era tudo perfeito — mas não pagaram nada pela publicação.
Quem não é do ramo da literatura talvez se surpreenda com isso, mas a verdade é que Clarice, como praticamente todos os escritores brasileiros (e não só), nunca conseguiu ganhar dinheiro de verdade com os seus livros, por mais premiados e bem-sucedidos que eles fossem.
Na biografia que escreveu sobre ela, Benjamin Moser conta um episódio tragicômico sobre o assunto.
Um belo dia, Clarice (já escritora consagrada) foi a uma editora receber os diretos autorais de um novo livro. Entregaram a ela um envelope bastante leve. A escritora conferiu o valor e saiu do escritório enfurecida, pisando firme, tão indignada que entregou a um morador de rua todo o (pouco) dinheiro que acabara de receber. Uma miséria.
Os amigos, parentes e biógrafos são unânimes ao afirmar que Clarice foi muito explorada pelo mercado editorial. Inúmeras vezes, ela teve de se submeter a duas coisas que detestava fazer, para conseguir reforçar a renda: traduzir e ministrar palestras.
Ela não apenas detestava traduzir como não o fazia muito bem, segundo Moser. Apesar de ter assinado muitas traduções, especialmente para o inglês e para o francês, a verdade é que Clarice não era fluente nesses idiomas e não fazia grandes versões. Para ajudá-la, alguns amigos até se dispunham a fazer o trabalho por ela, na camaradagem, para que a escritora pudesse receber um dinheirinho extra.
Seria engraçado, se não fosse trágico.
Afinal, a literatura brasileira tem um antes e um depois de Clarice Lispector.
Ela é uma potência da envergadura de um Machado de Assis, de um Guimarães Rosa.
No entanto, não conseguia viver da própria obra.
Em certa altura da vida, teve até mesmo de vender algumas pinturas para sobreviver. Tinha várias: tanto realizadas por ela mesma, como telas que recebia de presente de pintores fascinados com a beleza exótica da escritora.

Clarice era brasileira, e que não reste dúvida. Ainda hoje, muita gente acha que ela era uma gringa que morava nos trópicos e escrevia em português. Bobagem. Chegou ao país aos dois anos de idade e nele escreveu sua história, palavra por palavra.
Após casar com um diplomata, teve de morar fora do país por uns 15 anos. Não gostou da experiência. “Sentia muita falta do Brasil.”
Eventualmente, cansada daquela vida de viagens e querendo se dedicar mais à família (especialmente ao seu filho mais velho, que seria diagnosticado com esquizofrenia), separou-se para se fixar, até o fim da vida, no Rio.
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A impressão persistente de Clarice ser uma estrangeira nos trópicos é reforçada pelas suas feições, que eram frequentemente classificadas de “orientais”, e pelo seu sotaque.
Ouça um trechinho da voz de Clarice aqui e perceba o tal acento da escritora, em uma das únicas entrevistas em vídeo que a escritora concedeu em sua vida.
Pois bem, mas nada disso é verdade. Não havia sotaque exótico. O jeitinho de falar de Clarice não tem nada a ver com sua origem russo-ucraniana. Trata-se apenas de… língua presa. Até amigos íntimos dela se confundiam com isso, e o jeito enigmático de Clarice nem sempre ajudava a esclarecer as coisas. Mas ela tinha língua presa e nunca quis fazer cirurgia corretiva, por medo de não suportar a dor.
Preferiu manter a sua dicção como era, com todas as suas marcas. Clarice manteve a sua voz e o seu mistério.
Anos depois de se mudar para o Rio, Clarice se formou em Direito. Seguiu o curso sem pensar muito, apenas porque todos lhe diziam que ela seria boa advogada, por causa da sua indignação diante das injustiças do mundo. No terceiro ano do curso, contudo, percebeu que não queria seguir aquele caminho, e formou-se apenas por obrigação, sem querer atuar na área.
Na faculdade, teve um professor que repetia: “Quem só gosta de Direito Penal não é advogado, é escritor”.
Clarice, claro, adorava Direito Penal.
Meteu-se no jornalismo, onde fez de tudo, das notas mais frívolas a crônicas densas ou engraçadas e ácidas. Seu método de trabalho com as letras era irregular e complexo. Fora do ambiente dos jornais e revistas, ela jamais se obrigava a escrever. Anotava ideias e frases em folhas avulsas por vários meses, ou anos, e depois montava tudo como um quebra-cabeças, ou melhor, um origami delicado. Jamais começava a escrever sabendo qual seria a história. Escutava a sua intuição.
Intrigou os críticos desde o seu primeiro livro, porque parecia que ela “nascia” com um estilo pronto e maduro, e não como uma jovem promissora, que iria se desenvolver aos olhos dos leitores.
Perto do Coração Selvagem — título que ela pretensiosamente tomou emprestado de James Joyce, mas sem tê-lo lido ainda — arrebatou a crítica de imediato.
Nunca ligou para prêmios. Não apreciava nem mesmo a palavra “literatura”. Achava que ela, com seu jeito vetusto e sóbrio, estragava o prazer do simples ato de escrever, que deveria ser como abraçar um amigo.
Rejeitava qualquer rótulo, inclusive o de escritora.
— Eu não sou uma profissional, eu só escrevo quando eu quero. Sou amadora e faço questão de continuar sendo amadora. O profissional tem uma obrigação consigo mesmo ou com o outro, e eu faço questão de manter a minha liberdade.
Clarice dizia cultivar a humildade e se dizia agredida por elogios. Tampouco reagia bem às críticas, é verdade. Dizia que elas invadiam a sua intimidade e a desconcertavam por vários dias. Era sensível demais. Um pouco como todos nós, talvez, mas de uma forma mais despudorada do que a média. Escrevia sobretudo para si própria.
— Escrever é um fardo. Mas, quando acaba um livro e eu não tenho anotações para o próximo, é como cair num vazio. É uma perdição.
A escrita, para ela, era incapaz de mudar o mundo, de ter um efeito no real. Mas, ainda assim, era necessária. Se fosse questionada sobre as razões pelas quais escrevia, diante de tanta angústia, ela respondia, simplesmente:
— A gente quer desabrochar, não é?
A crise pós-publicação só passava quando começavam a brotar novas ideias, caóticas anotações em pedaços de papel. E as ideias sempre voltavam a brotar, a seu tempo. Escreveu crônicas de jornal, contos, livros infantis, novelas e alguns dos romances mais inspirados da língua portuguesa.
Impressionado pelo enigma de sua literatura adulta, lembro de ter ficado surpreso ao saber que Clarice era uma fecunda escritora de livros infantis. Estreou na área a pedido de seu primeiro filho, Pedro, que queria que a mamãe lhe contasse uma historinha diferente — estava cansado dos clássicos. Ela cumpriu a promessa no mesmo dia, e nasceu O Mistério do Coelho Pensante (1967).
Na verdade, Clarice achava fácil se comunicar com crianças, já que se considerava muito maternal.
Difícil era se comunicar com adultos, pois sentia que, ao fazê-lo, estava se comunicando com o mais secreto de mim mesma.
Romances de Clarice Lispector* 1. Perto do Coração Selvagem (1943) 2. O Lustre (1946) 3. A Cidade Sitiada (1949) 4. A Maçã no Escuro (1961) 5. A Paixão segundo G.H. (1964) 6. Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (1969) 7. Água Viva (1973) 8. A Hora da Estrela (1977) 9. Um Sopro de Vida (1978) *em negrito estão as obras que já li, e que de certa forma iluminam essas minhas ideias sobre Clarice.
Perto do Coração Selvagem (1943)
Romance de estreia de Clarice, causou imediato impacto no cenário literário brasileiro. Foi aclamado pela crítica por sua originalidade e ineditismo e considerado um marco, inaugurando uma nova forma de fazer literatura no Brasil.
Ela tinha 23 anos quando lançou o livro.
O livro narra a história de Joana, desde sua infância até a vida adulta. A trama não segue uma linearidade convencional, focando-se mais nos fluxos de consciência da personagem, suas reflexões filosóficas sobre a vida, a morte, o amor e a existência. Joana é uma personagem introspectiva, rebelde e complexa, como Clarice.
Meu contato com o livro foi curioso, porque me reconheci muito ali. Não só como sujeito aflito, mas como escritor. Aquela voz era também a minha voz.
Sérgio Milliet, crítico de grande prestígio, não soube como classificar o Coração Selvagem. O título vem de Joyce, como eu mencionei antes, mas Clarice não havia lido Retrato do Artista Quando Jovem. Disse que o título veio porque combinava com o que ela queria dizer.
Eu li rapidamente, sem tentar entender palavra por palavra. Acho que é o melhor jeito de ler Clarice, honestamente.
Sem a beca acadêmica, tateando no escuro.
A Paixão Segundo G.H. (1964)
Clarice dizia que a personagem G.H. nasceu sozinha. E que ela, Clarice, a escritora, quando se deu conta do rumo que a história tomava, ficou estremecida. “Quando percebi que ela ia ter que comer a barata, eu quase desisti.” Mas não desistiu. Permaneceu. E essa permanência, esse susto mantido, esse horror sustentado, talvez seja a mais fiel descrição do que é A Paixão Segundo G.H.
Não há enredo no sentido tradicional. Há um quarto branco, uma mulher de classe alta, escultora, que um dia decide limpar o quarto da empregada que foi embora. E ali ela encontra a barata. Mas não é apenas isso. A barata torna-se espelho invertido, o abismo no qual G.H. cai e ao qual somos arrastados.
Clarice dizia que não sabia de antemão o que escreveria, e isso é visível. A Paixão Segundo G.H. se constrói como se estivesse sendo descoberta frase a frase. Ela não controlava seus personagens, e foi essa autonomia que produziu um dos livros mais intensos e radicais da literatura brasileira.
Água Viva (1973)
É um livro estranhíssimo, uma obra singular dentro da produção singular de Clarice. Difícil de classificar, não é um romance no sentido tradicional, nem um livro de contos. A própria autora o chamava de “não-livro” ou “quase-romance”. É uma espécie de fluxo de consciência, um longo monólogo interior composto por fragmentos, pensamentos, sensações, reflexões filosóficas e poéticas de uma narradora que se dirige a um “você” indefinido. Não há uma trama linear, mas sim uma exploração profunda do tempo presente. Por anos eu dizia que era meu livro favorito dela, que vai melhorando conforme a gente fica mais velho e mais perdido, mais solto e fluido, como uma água-viva.
Clarice hesitou por anos antes de publicar Água Viva. Achava que talvez ninguém fosse entender. A crítica, na época, se dividiu. Hoje, é tido como um dos ápices da literatura clariceana — e também de sua coragem estética.
O mestre Ariano Suassuna disse que esse livro era a coisa mais genial que ele havia lido em toda a sua vida. Comparava-o a uma composição de Bach.
A Hora da Estrela (1977)
Publicado pouco antes da morte da autora, A Hora da Estrela é, sem dúvida, o romance mais conhecido e um dos mais estudados de Clarice. Sua popularidade deve-se, em parte, à sua posterior adaptação para o cinema por Suzana Amaral, em 1985.
A história gira em torno de Macabéa, uma jovem nordestina que emigra para o Rio de Janeiro. Macabéa é ingênua, pobre, sem grandes ambições, desprovida de beleza e de talento aparente. A narrativa acompanha sua rotina banal, suas pequenas alegrias e tristezas, sua solidão e sua luta pela sobrevivência. O romance é narrado por Rodrigo S.M., um escritor fictício que, ao mesmo tempo em que conta a história de Macabéa, reflete sobre o ato de escrever, a condição humana e a relação entre o criador e sua criatura. É uma experiência onírica: a gente vê o livro se construindo diante dos nossos olhos.
A Hora vai além exploração psicológica característica de Clarice: traz um olhar aguçado para questões sociais como a pobreza e a invisibilidade social. Macabéa representa os marginalizados, a imigrante que busca melhores condições de vida, mas que acaba se deparando com o preconceito, a exclusão e a dificuldade de adaptação. Ela também encarna a dura condição da mulher, e, mais do que isso, da mulher negra.
O crítico Alfredo Bosi certa vez tentou nomear o indizível. Apontou três marcas da escrita clariceana: a metáfora insólita, que ilumina o mundo com um fósforo inesperado; o mergulho no fluxo de consciência, onde pensamento e sensação se misturam; e a recusa do enredo factual — porque a vida não tem começo, meio e fim tão claros quanto gostaríamos de acreditar.
Mas o que mais me toca na leitura de Bosi é a ideia de que, nos livros de Clarice, a própria subjetividade se quebra. O eu se esgarça. Não se contenta (ou sustenta) mais com as paredes das nossas ilusões cotidianas e sai em busca de algo além. Um objeto, talvez? Uma maçã, uma barata, uma palavra. Algo que devolva ao espírito um contorno mínimo. Uma coisa qualquer que o salve da dissolução. É esse o salto que ele vê: do psicológico para o metafísico. Do eu para o sem-nome.
Clarice inaugura também, segundo Bosi, três tipos de crise. A da personagem, que já não se resolve em si e passa a buscar o que há fora de si. A da voz narrativa, que deixa de contar e passa a perguntar. E a da própria prosa, que se descola do registro documental e passa a sussurrar suas dúvidas e inquietações.
Crise, aqui, é aquela que antecede o nascimento. Clarice escreve como quem abre um casulo com unhas e dentes — e de lá sai algo que pode ser qualquer coisa. Algo que simplesmente pulsa.
Sua amiga, a escritora e jornalista Marina Colasanti, dizia que Clarice levava os críticos à loucura porque eles procuravam fora, no mundo externo, fatores que explicassem a sua literatura. Buscavam influências, referências, associações — e, no caso de Clarice, fracassavam, porque a literatura dela sempre foi de dentro para fora.
Talvez por isso seja impossível compreender a obra de Clarice inteiramente, pois isso equivaleria a compreender inteiramente a ela mesma: Clarice,
Seria como decifrar o mistério da esfinge.
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Clarice é exatamente isso, e muito mais, e muito simples, e muito única. Clarice.
Que texto bárbaro!
Para ler, reler e guardar!
Clarice é um vaivém de de ocultações e desvendamentos sem fim. Adorei 👏🏻